Pela primeira vez um estudo internacional comprova que o computador melhora o desempenho escolar. Uma pesquisa feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) acabou com qualquer dúvida ainda existente sobre a importância da tecnologia na educação. O estudo faz parte do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), da OCDE, a principal referência de comparação de desempenho escolar entre países.
Para avaliar o impacto dos computadores, os pesquisadores levaram três anos analisando os dados da pesquisa. Consideraram tanto a quantidade de máquinas disponíveis nas escolas quanto o uso delas em casa pelos alunos. Cerca de 79% dos estudantes nos países desenvolvidos já usam computador para fazer os trabalhos escolares. "Os computadores são um recurso poderoso ainda subutilizado na maior parte dos países", afirma Andreas Schleicher, um dos autores do estudo.
O resultado, divulgado no início deste ano, revela que países como os Estados Unidos, a Austrália e a Coréia do Sul têm um computador para cada três alunos nas escolas. Uma média invejável mesmo para os melhores colégios brasileiros. O Brasil, que ficou em penúltimo lugar no estudo da OCDE, oferece uma média de um computador para cada 50 alunos.
Uma das conclusões mais importantes da pesquisa foi revelar como a tecnologia deve ser aplicada na educação. A primeira constatação é que não basta ter máquinas à disposição dos alunos. É preciso orientá-los. O estudo do Pisa mostra que o desempenho em matemática e leitura melhora quando os alunos usam softwares educacionais pelo menos uma vez por semana. Mas a performance cai quando usam mais que isso.
"Assim como a falta dos computadores está ligada aos alunos de menor desempenho, o uso exagerado também desvirtua os estudantes e não os coloca entre os mais bem avaliados, como se poderia imaginar," afirma Andreas Schleicher. "É possível que na maior parte do tempo eles se dediquem a chats e jogos eletrônicos, que são fascinantes na idade deles, mas que precisam de limites porque podem desvirtuar o foco na educação."
O estudo sugere que é função da escola, em um mundo cada vez mais dominado pela tecnologia, mostrar aos alunos como fazer uso produtivo do computador. A informática faz diferença quando é incorporada à pedagogia, seja como ferramenta de pesquisa, seja por meio de jogos, seja por softwares educativos. "Não faz a menor diferença escrever uma redação em papel ou digitá-la em Word", diz Sérgio Ferreira do Amaral, professor da Faculdade de Educação da Unicamp e coordenador do Laboratório de Novas Tecnologias Aplicadas à Educação.
Mas o bom uso do computador, afirma Amaral, transforma o ambiente educacional. Dá ao aluno um conteúdo que o professor seria incapaz de trazer para a sala de aula. Rompe com o modelo tradicional de ensino, que se caracteriza por um professor falando e vários alunos tomando nota. O conhecimento passa a ser produzido em conjunto, e a reflexão dos estudantes ganha importância.
(Época)

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